sábado, 28 de novembro de 2009

Eu tenho sofrido muito
Nos meus voos ensaiados
Que ao querer sair do chão
Ficam-me os pés agarrados


Amália Rodrigues

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Os dedos escorrem tinta que transpassa a matéria gasosa.
Hoje não há conclusões, só uma vontade que já (ou ainda) não posso transpor.

Agradeço a qualquer coisa, já existiram os dias em que não existia vontade de nada além das necessidades básicas.

sábado, 14 de novembro de 2009

"Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação"


Drummond

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

E o sol, tão objetivo, está tentando me dizer que as coisas sólidas se modificam pelas mãos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

É que pra viver como vivemos, humanos, tão impregnados de tempo, precisamos de alguma coisa que nos conecte ao instante.

Estou descobrindo!, a menina disse

e cresceu.
É preciso querer muito ver para que a vida se abra em sua realidade terrena. Tudo está existindo tão completa e essencialmente o instante que se queima e se renova. Além há esta linha que circunda a existência e é constante, com seus nódulos de energia nossas que se mistura com a dos outros e se transforma nisso que é o amor do presente. Só é possível se estar amando, só é possível sentí-lo ali, ele sendo, enorme, morno, alegre e injustificável. Depois ficamos sós, só com a breve lembrança que amamos e nos agarramos no que foi - e portanto não é mais - porque queremos eternizar o sentir junto com o outro, que se mistura conosco, que nos completa o vazio, a fome da alma que precisa saber. Porque os nossos segredos mais preciosos nem nós conhecemos, há por isso essa sede imensa, esse vazio que é o espaço que espera a descoberta do segredo. E  há tanto medo, tanta distorção por conta disso, é um não ver lotado de imagens que se sobrepõe feito fantasmas sobre a vida, de forma que a vejamos, mas sem a ver de fato, absortos pelos medos e pelas manias que são também uma forma de medo porque são uma incapacidade de se recriar de acordo com o instante...






É preciso querer muito ver.