sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Para ler ao som de Gluck

Tão distintas vibrações no ar. Uma mulher que aparentava ser menina ao mesmo tempo que seus olhos tinham a profundidade da idade do universo. Ela segurava o cano do aspirador de pó e o ia arrastando pelo chão do pequeno apartamento, mas aqueles olhos pareciam tremer mesmo junto com a ópera que sofria alto. Parou estática no meio da sala, na janela aberta entardecia preenchendo toda a casa de luz quente. Em determinado momento - a mulher ainda ali parada, os sons pareciam aumentar - os raios solares alcançaram uma tal inclinação que atingiram diretamente um de seus olhos, umidecendo-o. Ela desligou o aspirador de pó, sentou na ponta do sofá e chorou a ópera. Era a vida, a vida vindo.